Membro do time campeão da Copa do Mundo de 1998 e ex-meio-campista francês que atuou pelo Arsenal e pelo Chelsea, Emmanuel Petit, ao comentar a estreia da Inglaterra na Copa do Mundo da América do Norte, fez uma avaliação aparentemente contraditória, porém bastante típica: acredita que os Três Leões podem ir longe, mas também apontou um jogador que pode ser uma vulnerabilidade no caminho ao título.
A confiança por trás do bom início
A Inglaterra venceu a Croácia por 4 a 2 na estreia da Copa do Mundo de 2026 nos EUA, México e Canadá. Harry Kane marcou dois gols na primeira etapa, enquanto Jude Bellingham e Marcus Rashford também balançaram as redes após o intervalo. Sob o comando de Tuchel, a equipe fez uma estreia contundente com alta intensidade de deslocamentos, passes fluidos e ritmo de pressão. Petit disse que, desde o início da partida, estava confiante na Inglaterra — a fluidez do esquema tático, a velocidade nas infiltrações, a intensidade nos duelos e o empenho coletivo estavam de acordo com o que esperava.
Kane: um capitão que vai além dos gols
Nos olhos de Petit, Kane é o núcleo insubstituível desta Inglaterra. Além dos dois gols, o que mais impressionou o ex-jogador francês foi a contribuição defensiva de Kane: nos momentos finais, ele chegou a recuar até a última linha de defesa, posicionando o corpo na frente do atacante adversário para fazer uma interceptação decisiva. “Não importa em que posição esteja, sempre faz o que precisa ser feito”, disse Petit, ressaltando que esse espírito de liderança contagia os companheiros e é exatamente o que se espera de um capitão de seleção.
Pickford: uma incógnita no caminho ao título
Em contraste com o entusiasmo em relação a Kane, Petit manteve reservas sobre Jordan Pickford. Na avaliação dele, o goleiro poderia ter feito melhor no gol que abriu o placar contra a Croácia; embora Pickford tenha feito algumas defesas, Petit foi direto: “Não tenho aquela sensação de tranquilidade com ele”. Segundo o ex-jogador, para chegar até a final da Copa do Mundo, é preciso ter um dos melhores goleiros do torneio — e Pickford ainda não está nesse patamar.
Emoções da estreia e a lógica do mata-mata
Petit também reconheceu que jogos de estreia costumam trazer uma carga emocional extra, e cada toque do goleiro acaba sendo ampliado e interpretado além da conta. A crueldade da Copa do Mundo, porém, é esta: na fase de grupos dá para compensar oscilações em posições específicas com poder ofensivo, mas na fase eliminatória um erro primário pode redefinir o rumo da competição. A Inglaterra tem capacidade de entregar no ataque com Kane, Bellingham e outros, mas a estabilidade defensiva continua sendo uma variável que Tuchel precisa avaliar constantemente.
Impacto e o que acompanhar
Pelos pontos e pelo cenário de classificação, a vitória com os três pontos na estreia já colocou a Inglaterra em posição de vantagem, mas o alerta de Petit aponta para a lógica de um campeão a longo prazo: conforme a qualidade dos adversários aumenta de nível em nível e o ritmo dos jogos fica mais conservador, o posicionamento, a saída do gol e a primeira reação do goleiro se tornam uma linha divisória invisível. Se Tuchel vai ajustar a escalação do goleiro nas próximas partidas da fase de grupos e se Pickford consegue responder às críticas com suas atuações será o fio condutor mais interessante a acompanhar na Copa do Mundo da Inglaterra, além do poder ofensivo. Para os torcedores, o teto dos Três Leões pode estar escrito no ataque, mas o piso pode depender da linha do gol.