A Copa do Mundo do Brasil terminou onde poucos esperavam que ela começasse: nas oitavas de final, em uma noite no MetLife Stadium que pareceu menos uma derrota isolada e mais a confirmação de um padrão. Noruega avançou depois que Erling Haaland marcou duas vezes, Bruno Guimarães teve um pênalti inicial defendido, e o pênalti tardio de Neymar chegou apenas como consolo. Brasil, com apenas 34% de posse de bola, sofreu sua eliminação mais precoce em uma Copa do Mundo desde 1990.
Para Carlo Ancelotti, o resultado recaiu sobre um treinador que já havia assinado uma extensão de contrato para permanecer no comando até 2030. Ele talvez nunca tenha tratado a conquista deste torneio como garantida, mas ser eliminado tão cedo ainda dói profundamente. Sua resposta, no entanto, foi inequívoca.
O Acerto de Contas no MetLife
O placar conta apenas parte da história. Os dois gols de Haaland deram à Noruega a plataforma de que precisava em um confronto que o Brasil nunca controlou de fato. Guimarães cobrar o pênalti logo no início deveria ter oferecido à Seleção uma rota de entrada no jogo; em vez disso, o pênalti perdido definiu o tom de uma noite marcada por desvantagem territorial e um ataque pouco incisivo.
O pênalti convertido por Neymar nos acréscimos preservou o orgulho individual, não o progresso coletivo. Quando uma seleção com o peso histórico do Brasil termina uma partida eliminatória com pouco mais de um terço da posse de bola, a conversa rapidamente deixa de ser sobre azar e passa a ser sobre falha estrutural. Não foi uma derrota apertada decidida por um único momento. Foi uma demonstração abrangente de quão distante o Brasil ainda estava de alcançar a paridade competitiva com uma seleção europeia que atuava com confiança e clareza.
A Noruega, 31ª colocada no último ranking da FIFA e em ascensão, chegou sem o mesmo fardo de troféus, mas com um centroavante capaz de decidir partidas de elite por conta própria. Haaland fez exatamente isso. O Brasil, sexto no ranking mundial e carregando o peso de uma nação que ainda se mede em relação a eras douradas, deixou o estádio diante de questionamentos que acreditavam que Ancelotti havia sido contratado para adiar.
Um Treinador Que Diz Que Vai Ficar
A postura pública de Ancelotti após a derrota foi calma, quase filosófica, mas a mensagem por trás era firme. Ele não vai embora.
"Uma derrota é o começo de uma nova aventura. Agora precisamos continuar trabalhando duro e continuar melhorando", disse ele. "Isso é futebol. Isso é esporte. Você só precisa lidar com isso. Vamos usar isso como combustível daqui para frente."
Essa linguagem importa. O Brasil não nomeou um técnico interino quando finalmente contratou o homem que havia conquistado títulos europeus com o Real Madrid e trabalhado anteriormente no AC Milan. A confederação insistiu na contratação dele por cerca de dois anos antes de conseguir seu alvo em maio do ano passado e, em seguida, respaldou essa decisão com um contrato longo. Uma eliminação nas oitavas de final não apaga automaticamente esse compromisso, e os comentários de Ancelotti sugerem que ele pretende tratar o revés como o capítulo inaugural de uma reconstrução, e não como sua conclusão.
O teste prático, é claro, é se essas palavras se traduzem em melhor seleção, identidade tática mais clara e melhores performances quando os adversários europeus elevam a intensidade física e psicológica no futebol eliminatório. O Brasil já ouviu promessas antes. O que precisa agora é de evidências.
Como o Brasil Chegou a Este Ponto
O caminho até o MetLife nunca foi tranquilo, mesmo que o otimismo em torno da chegada de Ancelotti tenha mascarado temporariamente a turbulência por trás dele.
Após a eliminação nas quartas de final nos pênaltis para a Croácia na Copa do Mundo de 2022, Tite deixou o cargo e a seleção entrou em uma fase de instabilidade difícil de disfarçar. Fernando Diniz assumiu no início das eliminatórias para esta Copa do Mundo, mas permaneceu apenas seis jogos. Dorival Júnior assumiu em seguida, comandou a equipe até a eliminação nas quartas de final da Copa América de 2024 e foi demitido em março do ano passado.
Ancelotti acabou guiando o Brasil na fase de classificação, mas os números foram preocupantes. Em um grupo sul-americano de 10 seleções, a equipe terminou em quinto lugar, 10 pontos atrás da Argentina, líder da chave. Só isso já deveria ter moderado as expectativas sobre uma campanha tranquila em busca do título. Ainda assim, a esperança em torno de um treinador do porte de Ancelotti era a de que o Brasil chegaria à Copa do Mundo como um candidato de verdade.
Em vez disso, a seleção caiu na mesma fase em que tantas campanhas recentes terminaram, porém mais cedo do que em qualquer momento nos últimos mais de três décadas.
A Maldição do Mata-Mata Europeu Volta
Desde que o Brasil conquistou a Copa do Mundo pela última vez, em 2002, uma tendência se repetiu com frequência incômoda: quando o mata-mata se complica diante de adversários europeus, a Seleção não encontra uma resposta confiável.
Nas cinco Copas do Mundo anteriores a esta, o Brasil perdeu quatro vezes nas quartas de final e chegou à semifinal uma vez, quando sofreu a traumática derrota por 7 a 1 para Alemanha como anfitrião em 2014. A derrota de domingo para a Noruega prolonga esse problema mais amplo em vez de rompê-lo. O adversário muda. O resultado nos momentos decisivos, muitas vezes, não.
É por isso que essa derrota parece maior do que uma única noite ruim. O Brasil não está apenas lamentando uma eliminação precoce. Está enfrentando um teto competitivo recorrente nas partidas mais importantes, um que existe há muito tempo antes de Ancelotti e não desaparecerá simplesmente porque um treinador renomado diz as coisas certas depois.
Posse de bola, execução de pênaltis e gestão de jogo apontaram na mesma direção: quando o nível subiu, o Brasil não teve o controle esperado de uma seleção que ainda tenta reconquistar o domínio global.
Liderança, Juventude e o Próximo Ciclo
Se houve um fio positivo em meio a um torneio de resto sombrio, ele veio de Vinicius Junior. O atacante do Real Madrid, que completa 26 anos na próxima semana, se portou como um líder mesmo enquanto a equipe ao seu redor lutava para se impor. Suas palavras após a partida refletiram o clima dentro do elenco sem fingir que a dor poderia ser evitada.
"Ser eliminado de uma Copa do Mundo sempre é um golpe enorme", disse ele. "Mas agora temos que seguir em frente, não há muito o que possamos fazer."
Essa honestidade é necessária, mas também evidencia a transição que o Brasil precisa atravessar. Neymar continua sendo um ponto de referência, porém a seleção não pode ficar esperando sempre por salvadas individuais no mata-mata. Vinicius mostrou que consegue assumir a responsabilidade no mais alto nível. A questão é se o elenco como um todo consegue construir um sistema sólido o bastante para sustentar essa liderança.
O nome de Endrick naturalmente entrará nessa conversa enquanto o Brasil olha além da decepção imediata. O resultado de domingo sugere que o projeto está indo para trás, e não para frente, apesar do talento ainda disponível. Reverter isso exigirá mais do que o entusiasmo em torno de futuras estrelas. Será necessário um plano coerente ao longo das próximas janelas competitivas.
O Que Vem a Seguir
O horizonte imediato do Brasil agora se volta para a Copa América de 2028 e, além disso, a Copa do Mundo de 2030. O contrato de Ancelotti vai até esse último objetivo, o que dá continuidade à federação no papel, mesmo que a paciência entre os torcedores seja testada por mais uma eliminação dolorosa.
A insistência do técnico de que não vai sair é politicamente importante e pessoalmente crível, dada a sua recente renovação de contrato. O julgamento mais difícil é esportivo. O Brasil não perdeu por falta de um treinador famoso. Perdeu porque, no momento decisivo, mais uma vez não conseguiu resolver os problemas que marcam a sua história no mata-mata há mais de duas décadas.
Se Ancelotti realmente acredita que a derrota é o início de uma nova aventura, então a próxima fase precisa produzir uma mudança visível: desempenhos mais sólidos nas eliminatórias, disciplina tática mais clara e melhor execução quando os jogos apertam. Sem isso, sua permanência no cargo pode continuar segura no papel, enquanto as mesmas velhas questões acompanham o Brasil até o próximo torneio.
Por ora, a conclusão é dura. A Noruega merecia avançar. Haaland decidiu. O Brasil registrou sua eliminação mais precoce na Copa do Mundo desde 1990. E Ancelotti, quer o público já acredite totalmente nele ou não, diz que pretende ser o homem que transforma essa dor em progresso.