Marrocos elimina a Holanda nos pênaltis enquanto Van Dijk defende plano que ficou sem tempo

Marrocos elimina a Holanda nos pênaltis enquanto Van Dijk defende plano que ficou sem tempo

Pela segunda vez em quatro anos, Marrocos acabou com o sonho da Holanda na Copa do Mundo da forma mais cruel possível. A partida da fase de 32 desta segunda-feira, em Monterrey, terminou 1 a 1 após a prorrogação, antes que os Leões do Atlas vencessem por 3 a 2 nos pênaltis, assegurando um confronto nas oitavas de final contra a coanfitriã Canadá e mandando para casa a equipe de Ronald Koeman em uma disputa que pareceu menos uma zebra eliminatória e mais um veredicto postergado desde 2022.

A História se Repete, Só que em Tom Mais Alto

Os paralelos são impossíveis de ignorar. No Qatar, essas seleções se encontraram nas quartas de final em meio a uma polêmica de pênalti que ainda ecoa no futebol norte-africano. Torcedores marroquinos no México não deixaram ninguém esquecer, revivendo os cânticos de “No era penal” muito depois do apito final. Desta vez não houve cobrança de pênalti contestada para decidir o embate no tempo regulamentar — apenas uma teimosa resistência holandesa que cedeu diante de uma disputa de pênaltis e de um gol de empate nos acréscimos, que virou por completo o saldo emocional.

O encontro de 2022 viu a Holanda avançar em uma partida tensa e conturbada; em 2026, prevaleceu a persistência de Marrocos. Os Leões do Atlas terminaram com cerca de 70% de posse de bola, 11 finalizações e cinco no alvo, diante de uma seleção holandesa que conseguiu apenas seis tentativas e duas no gol. Esse não é o perfil de uma equipe que perdeu o controle da partida; é o perfil de uma equipe que dominou tudo, exceto o único momento que importou antes dos pênaltis.

Como a Noite Virou em Monterrey

O Marrocos criou as chances mais claras antes do intervalo. Bart Verbruggen, em um papel decisivo pela Holanda, fez uma série de defesas espetaculares para negar Ayoub Bouaddi de perto e Neil El Aynaoui de longe. Do outro lado, Yassine Bounou teve pouco trabalho até que finalmente espalmou o chute de longa distância de Micky van de Ven.

Achraf Hakimi acertou o travessão e obrigou Verbruggen a fazer mais uma defesa, enquanto os holandeses lutavam para conter as investidas do lateral vindo de trás. A entrada de Wout Weghorst por Ronald Koeman deu aos Oranje um ponto de referência que lhes faltava, e a mudança tática acabou produzindo o gol — mas não antes de Marrocos já ter estabelecido o ritmo da noite.

O segundo tempo pertenceu emocionalmente a Cody Gakpo, cujo gol de abertura pareceu inclinar um confronto eliminatório equilibrado para a Holanda. Milhares de torcedores marroquinos apoiaram os Leões do Atlas durante toda a partida, com muitos torcedores locais se juntando a eles nas arquibancadas. Então, nos acréscimos, Issa Diop cabeceou o gol de empate que levou a disputa para a prorrogação e tirou dos holandeses a serenidade que haviam lutado tanto para preservar.

Nenhuma das equipes conseguiu encontrar um vencedor nos 30 minutos adicionais. O que se seguiu foi uma disputa de pênaltis que oscilou repetidamente, capturando a imprevisibilidade que este torneio finalmente abraçou na fase eliminatória.

Disputa de pênaltis: Nervos, Erro e Redenção

El Aynaoui e o reserva holandês Justin Kluivert erraram logo no início. Verbruggen então parecia ter defendido a cobrança de Soufiane Rahimi, mas a bola escorregou por baixo dele e cruzou a linha — o tipo de falha marginal que define o futebol eliminatório. Quinten Timber mandou para fora o quarto pênalti da Holanda. Hakimi acertou o travessão com a chance de garantir a vitória, mantendo viva a esperança holandesa por mais um instante.

Ismael Saibari manteve a calma para converter o pênalti decisivo depois que Bounou defendeu a cobrança de Crysencio Summerville. Marrocos venceu por 3 a 2 nos pênaltis. O apito final provocou uma explosão entre os torcedores dos Leões do Atlas naquela que foi a última partida da Copa do Mundo disputada em Monterrey — um fim à altura de uma noite que parecia escrita tanto nos detalhes do futebol quanto em ressentimentos históricos.

O Caso de Van Dijk a Favor do Plano

Na derrota, Virgil van Dijk insistiu que a abordagem da Holanda tinha mérito. “O plano de jogo estava funcionando”, argumentou o capitão — e, em certo sentido, os números o corroboram. O time de Koeman absorveu a pressão, permaneceu organizado por longos períodos e encontrou um caminho para abrir vantagem com Gakpo. Contra uma seleção marroquina oitava colocada no ranking mundial, limitá-los a um único gol de bola rolando no tempo regulamentar e na prorrogação, antes dos pênaltis, não é um colapso tático.

Contudo, o futebol eliminatório não se avalia apenas pelo processo. A Holanda entrou nesta Copa do Mundo em sétimo lugar no ranking mundial, vinda de uma vitória por 5 a 1 na fase de grupos sobre a Suécia e de um triunfo por 3 a 1 contra a Tunísia. Chegou a Monterrey com tradição e embalo. Sai tendo segurado o Marrocos em um empate por 120 minutos, mas sem a frieza — na finalização e na marca de 11 metros — que separa quem chega às quartas de final dos turistas.

A defesa de Van Dijk do plano vai ressoar entre treinadores que valorizam a estrutura em detrimento do espetáculo. A torcida vai se perguntar se uma equipe que controlou tão pouco a posse de bola pode realmente alegar que a estratégia estava funcionando quando o resultado — eliminação — é a única moeda que vale em junho.

O que o Marrocos leva adiante

Hakimi falou depois com a clareza de uma seleção que entende sua identidade. “Conhecemos esse tipo de jogo, sabemos contra quem jogamos”, disse ele. “Temos que estar focados e ser fortes fisicamente, mas também mentalmente.” Ele também agradeceu aos torcedores mexicanos e à diáspora marroquina que transformaram Monterrey em um mando de casa para os Leões do Atlas.

Marrocos agora se volta ao Canadá com a confiança de uma seleção que venceu a Holanda duas vezes em fases eliminatórias de Copas do Mundo em dois ciclos — uma vez por controvérsia, outra por resistência. Para a Holanda, a conversa continuará em torno do que poderia ter sido: uma vantagem conquistada, uma vantagem perdida e uma disputa de pênaltis decidida por centímetros.

O plano de jogo pode até ter funcionado. Na segunda-feira, em Monterrey, funcionar não foi suficiente.

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