O vento em Londres, antes do verão, ainda carregava o mal-estar da temporada passada. Fora do Stamford Bridge, a discussão já não era apenas “quem vai comandar”, e sim se o clube conseguiria, após mais uma troca apressada de técnico, alinhar vestiário, arquibancada e diretoria. Segundo o renomado jornalista David Ornstein na noite de segunda-feira, o Chelsea está explorando uma negociação para nomear Xabi Alonso como novo treinador; o ex-técnico do Real Madrid, de 44 anos, está aberto à possibilidade, mas nada está fechado e o processo continua.
Três caminhos na lista de treinadores
Antes disso, o técnico do Bournemouth, Andoni Iraola, era visto como o favorito — ele se tornará agente livre no próximo mês, o que combina naturalmente com o cronograma dos Blues. Ornstein também enfatizou que Iraola continua sendo um “forte concorrente”. O The Sun, por sua vez, afirmou que o Chelsea já manteve conversas com o entorno de Iraola; o mais interessante é que Iraola e Alonso são representados pela mesma agência, e o Chelsea demonstrou interesse nos dois treinadores. Outro nome um tanto inesperado surgiu: Marco Silva, do Fulham, também está prestes a se tornar agente livre e é visto como alternativa; o ex-atacante do Aston Villa, Gabby Agbonlahor, declarou no talkSPORT que Silva seria a escolha “perfeita” — “esses craques precisam de um técnico duro; se vier alguém mole, eles também vão passar por cima dele”, e o estilo combativo de Silva à beira do campo era, aos seus olhos, a resposta.
Para o torcedor comum, essa lista parece três versões da mesma entrevista coletiva: jovem tático, currículo de campeão, rosto conhecido da Premier League. O que realmente trava o processo nunca foi se o nome é grande o bastante, e sim se o clube está disposto a entregar integralmente o poder de decisão no futebol.
A “chave” de Alonso e a variável Liverpool
Alonso é apontado por vários veios de imprensa como o principal favorito, mas isso não significa que ele não tenha pendências. Segundo reportagens, sua primeira opção ainda é o Liverpool; porém, com Arne Slot já instalado e consolidado no comando do Anfield, isso torna o “pouso” de Alonso no Stamford Bridge uma opção concreta. Jimmy Floyd Hasselbaink, ídolo do Chelsea, deu declarações à Sky Sports que soam quase como um manual para essas negociações: “Se escolherem Alonso, terão de entregar as chaves a ele — os jogadores precisam saber que quem decide sobre futebol é o treinador, e só assim eles vão se entregar de verdade.”
Hasselbaink considera que Alonso “não foi mal” no Real Madrid, mas que no Bernabéu a régua é ficar no topo a temporada inteira; ao mesmo tempo, ele aponta o mesmo dilema que Alonso pode enfrentar no Real e no Chelsea: insistir em conduzir o time do seu jeito, exigindo que as estrelas se submetam ao sistema e ao ritmo de jogo — e isso exige respaldo da diretoria, não sabotagem repetida à beira do campo. Se a cúpula do Chelsea quiser conceder apenas “autonomia parcial”, a história provavelmente se repetirá: Liam Rosenior, demitido no mês passado, ficou apenas 106 dias no cargo; antes de ser dispensado em janeiro, Enzo Maresca também havia comprovado seu estilo de jogo com taças como a Conference League e o Mundial de Clubes, mas igualmente não resistiu à pressão estrutural.
Tom da temporada e pressão pela reconstrução
A temporada 2025/26 foi um fechamento difícil para o Chelsea: o consenso externo fala em reconstrução em larga escala, e esta contratação é vista como “tudo ou nada”. Os resultados no banco de dados também desenham o panorama da Premier League na rodada final — o Fulham venceu por 2 a 0 em casa na 38ª rodada, o Bournemouth empatou por 1 a 1; os Blues somaram uma vitória por 2 a 1 no encerramento do campeonato, mas isso não esconde o abismo da temporada inteira. No lado do Real Madrid, os números da equipe antes e depois da saída de Alonso continuam sendo citados: 26 finalizações, 10 no gol, 65% de posse de bola e 92% de passes certos num único jogo — por trás da vitória está um perfil de posse de bola em alta intensidade, exatamente o futebol que ele queria replicar em Londres, mas a estrutura de estrelas e de poder do Chelsea é bem mais complexa que o quadro tático.
Fora de campo: quem deve chegar, quem deve sair
Pela lógica das arquibancadas, a torcida não quer só um “técnico famoso pousando de paraquedas”, e sim alguém com voz de verdade na coletiva, no treino e na janela de transferências. A vantagem de Iraola é estar prestes a ficar livre no mercado, com avanço concreto nos contatos com o clube; a de Silva, disciplina e temperamento já comprovados na Premier League; a de Alonso, currículo de campeão e sistema bem definido — com o preço do risco de encaixe com o desejo do Liverpool e com as estrelas dos Blues.
Hasselbaink apontou o dedo mais para cima, na governança da BlueCo: Rosenior “talvez não seja a pessoa errada”, Maresca “também não carece de currículo”; o problema é se nomeação e autonomia andam juntas. Para o Chelsea, o verdadeiro teste deste verão não é o nome no pôster do anúncio, e sim se o novo técnico terá soberania plena sobre tática e escalações já na primeira temporada.
Daqui para frente, três frentes merecem atenção: se o lado de Alonso passará da “exploração” para negociações contratuais concretas; se as negociações paralelas de Iraola, conduzidas pela mesma agência de representação, pressionarão o Chelsea a acelerar; e se Silva deixará de ser uma “aposta improvável” para virar conversas concretas. Se Alonso recuar por causa do caminho do Liverpool ou de divergências sobre autonomia, Iraola continua sendo o Plan B com maior chance de se concretizar. Seja quem for o escolhido, a próxima troca de técnico no Stamford Bridge voltará a colocar à prova se o clube entrega ao treinador as chaves de tudo, ou apenas uma chave que abre algumas portas.