Saída de Van Persie faz surgir lista de técnicos no Feyenoord

Saída de Van Persie faz surgir lista de técnicos no Feyenoord

Fora do estádio De Kuip, em Roterdã, as conversas costumam esquentar antes mesmo do vestiário. Depois que Robin van Persie deixou o comando do Feyenoord, os nomes mais citados nas arquibancadas quase sempre estão ligados às memórias de título da cidade — quem pode assumir o comando de um gigante do Eredivisie e trazer de volta aquele espírito combativo de Roterdã rumo à briga pelo título virou um dos assuntos mais quentes fora de campo do futebol holandês neste verão.

Vaga no comando: do treinador campeão à pressão da sucessão

A saída de Van Persie, por fora, parece uma reação em cadeia de resultados e de adaptação no vestiário; por dentro, é mais um teste para o Feyenoord em relação à “estabilidade de entrega”. A diretoria do clube, com Davey Rigo e Robert Eenhoorn, não precisa apenas encontrar um rosto conhecido do mundo de língua holandesa — precisa dar respostas rápidas entre vaga na Champions, competições nacionais e a paciência da torcida. Para a torcida do Feyenoord, que há anos trata o estádio como uma fortaleza, o novo treinador precisa entender Roterdã e também se impor no cenário europeu — exatamente aí começa a diferença entre a lista dos sonhos e a lista da realidade.

Cartão dos sonhos: Slot, Glasner e Regragui

Se a lista de desejos da torcida for aberta, Arne Slot aparece quase incontestavelmente em primeiro lugar. O ex-treinador do Liverpool é visto como um dos técnicos mais bem-sucedidos do Feyenoord no século XXI: conquistou o campeonato, a Copa da Holanda e a Supercopa Johan Cruyff, além de levar o time a uma final europeia. Hoje ele já é campeão da Premier League no comando de um clube, é sempre muito cobiçado no mercado e trazê-lo de volta a Roterdã, longe da narrativa de Anfield, seria uma missão difícil — mas o simples fato de o nome circular já basta para inflamar a imaginação das arquibancadas do De Kuip.

Oliver Glasner, por sua vez, é outra pista que a imprensa holandesa tem citado com frequência nos últimos tempos. O austríaco levou o Crystal Palace ao título da Liga Conferência Europa nesta temporada, com um estilo tático claro e ajustes decisivos durante os jogos, e há fortes rumores de que o Milan da Serie A o observa de perto. Para Glasner, um convite de um dos cinco grandes campeonatos europeus, com salário mais alto, obviamente pesa mais — o Feyenoord, na prática, ficaria no campo do “e se”, a menos que o clube mostrasse máxima seriedade tanto no projeto esportivo quanto na remuneração.

Mais adiante no leque de opções está o caminho de Walid Regragui, com um perfil mais internacional. A seleção marroquina ocupa atualmente a oitava posição no ranking da FIFA; Regragui conduziu os Leões do Atlas à histórica semifinal na Copa do Mundo do Catar de 2022, tornando-se a primeira seleção africana a alcançar esse feito. Após vencer 36 dos 49 jogos à frente da equipe, ele deixou o cargo na Federação Marroquina de Futebol em março deste ano, alegando exaustão. Pelo histórico em competições continentais, Regragui certamente merece o rótulo de “aposta ousada”, mas a capacidade de se adaptar ao ritmo diário de um campeonato de clubes continua sendo uma variável que a comissão técnica do Feyenoord precisa analisar com cuidado.

Faixa realista: Schoonder e Tomasson são opções mais viáveis

Um degrau abaixo, Dick Schoonder é o nome que mais chama a atenção no momento. Nesta temporada, ele conduziu o NEC Nijmegen a uma das melhores campanhas de sua história, com o terceiro lugar na liga e a primeira classificação do clube para a Liga dos Campeões. Apesar de ter perdido a final da Copa da Holanda para o AZ Alkmaar — ficando sem o título da KNVB Beker —, a equipe praticou um futebol ofensivo admirável durante toda a temporada, chegando a ser comparado ao “futebol rock” de Jürgen Klopp no Liverpool. Schoonder já declarou publicamente que permaneceria “cem por cento” no NEC, mas quando o Feyenoord bate à porta, o apelo do clube de Roterdã sobre técnicos locais de sucesso jamais deve ser subestimado.

Outra opção com mais “sangue feyenoordiano” é o dinamarquês Jon Dahl Tomasson, de 49 anos. Integrante do elenco campeão da Copa UEFA 2001-02, ele disputou 208 partidas pelo Feyenoord na carreira e marcou 93 gols, tornando-se o jogador com mais jogos vestindo a camisa do clube. Familiarizado com a cultura do vestiário, conhecedor do temperamento da cidade e sem necessidade de período de adaptação — esse rótulo de “cara da casa” costuma acalmar a arquibancada mais do que um currículo vistoso em momentos de instabilidade no comando. Se a diretoria optar por uma transição de baixo risco, Tomasson seria uma peça mais pragmática do que um técnico estrangeiro de grande nome.

Impacto da escolha: cenário da Eredivisie e disputa por vagas europeias

Olhando o panorama geral do formato da competição e da tabela de classificação, a troca de técnico no Feyenoord não ocorre isoladamente. O Nijmegen já deu um salto de qualidade sob o comando de Schreuder, enquanto rivais tradicionais como Ajax e PSV Eindhoven também têm os olhos voltados para uma vaga na Liga dos Campeões. A decisão sobre o comando do time vai influenciar diretamente o equilíbrio psicológico em torno do grupo de candidatos ao título na Eredivisie 2026-27 e da distribuição das vagas europeias. Apostar em um treinador capaz de manter o estilo ofensivo de alta pressão ou contar com o efeito de um grande nome não envolve apenas Roterdã — isso também vai repercutir na competitividade dos clubes holandeses nos torneios continentais.

Para o torcedor comum, três pontos valem atenção daqui para frente: se o clube vai anunciar rapidamente o cronograma de entrevistas; se Schreuder e Thomassen receberão um contato formal; e se nomes como Slot, Glasner e Regragui serão usados para inflar expectativas ou gerar especulações. O verão no De Kuip não ficará tranquilo por muito tempo — até a definição do novo treinador, cada rumor fora dos treinos será um momento em que a cidade de Roterdã recalibra suas ambições.