As rodadas da segunda fase da Copa do Mundo da FIFA de 2026 do Grupo C chegaram ao fim. Brasil, Marrocos, Escócia e Haiti disputam o mesmo grupo, amplamente considerado um dos mais difíceis do torneio. Após duas rodadas, o Brasil lidera temporariamente pelo saldo de gols, com Marrocos logo atrás com os mesmos quatro pontos, Escócia com três pontos e ainda com a classificação em suas próprias mãos, enquanto o Haiti, com zero pontos e saldo negativo de quatro gols, já está praticamente fora da disputa.
A real situação por trás da tabela
Do placar, o Grupo C não registrou muitas “surpresas”, mas a intensidade da disputa não diminuiu. Brasil e Marrocos empatados com quatro pontos, o que significa que qualquer empate ou derrota na rodada final pode mudar a classificação. Escócia aparece em terceiro com três pontos, e os escoceses ainda têm chance de uma reviravolta na última rodada. O Haiti, como o elo mais fraco do grupo, não venceu em duas partidas e sofreu muitos gols, deixando suas chances de classificação praticamente esgotadas.
Para nós, o principal sinal liberado pela segunda rodada do Grupo C é: as potências tradicionais não dominaram com facilidade, as equipes intermediárias continuam brigando por pontos, e a rodada final provavelmente seguirá o roteiro de “quem erra, quem fica”.
Brasil: ataque potente, mas a defesa já acendeu o alerta
O Brasil, pentacampeão mundial, ainda teve um desempenho abaixo das expectativas dos torcedores nas duas primeiras partidas. O empate com Marrocos é um resultado aceitável, mas a expectativa era uma atuação mais dominante. Nos números, o Brasil marcou quatro gols em duas jogadas, com o ataque em boa forma; o problema está na defesa — a posição de lateral-direito tornou-se um dilema tático que Ancelotti precisa resolver imediatamente.
Na primeira partida contra Marrocos, Roger Ibañez foi escalado como lateral-direito, fora de sua posição habitual, e a pressão alta do adversário expôs imediatamente os espaços na defesa do Brasil pelas bandas. Na segunda partida contra o Haiti, Danilo voltou à ala direita e a estabilidade defensiva melhorou. Ao mesmo tempo, a saída por lesão de Wesley reduziu ainda mais a profundidade nas laterais, comprimindo as opções de rodízio.
Domínio no meio-campo: além de Bruno Guimarães, quem mais?
Na partida contra Marrocos, o Brasil, além de Bruno Guimarães, não tinha no meio-campo um pivô capaz de receber, circular a bola e superar a pressão com regularidade. Diante de equipes que aplicam pressão alta, essa lacuna tende a ser amplificada. Uma possível solução seria formar uma dupla de volantes com Danilo Santos e Bruno Guimarães, reforçando a transição entre a saída de bola e as interceptações. A lógica tática no momento é clara: marcar o máximo possível no ataque e segurar o quanto der na defesa. Isso basta contra adversários mais fracos, mas, em caso de confronto nas eliminatórias com potências como França ou Alemanha, manter o gol intacto é o questionamento mais realista.
Na segunda partida, contra o Haiti, Vinícius teve uma atuação brilhante e se tornou o trunfo mais confiável do ataque brasileiro. Se Ancelotti quiser ir longe na rodada final e além, precisará encontrar uma solução mais equilibrada entre efetividade ofensiva e solidez defensiva.
Marrocos: sobre o legado de 2022, a defesa evoluiu
Desde a Copa do Mundo do Catar em 2022, Marrocos concluiu claramente uma renovação geracional. Jovens como Sabiri, Bouaddi e El Hannouss entraram no núcleo titular, complementando veteranos como Achraf Hakimi, Bounou, Dias e Mazraoui. Em quatro anos, a mudança mais evidente em Marrocos foi defensiva: a marcação coletiva, a disciplina nas recuadas e a organização em bolas paradas estão mais maduras do que na edição anterior.
A seleção também segue ampliando suas fontes de talento. Bouaddi, nova promessa do meio-campo do Lille, chegou a defender as categorias de base da França antes de optar por vestir a camisa de Marrocos — um retrato da estratégia marroquina de combinar naturalizações no exterior com formação de jovens no país. Com quatro pontos em duas rodadas e colado ao Brasil na classificação, fica claro que a equipe não depende apenas de uma postura defensiva para somar pontos: provou competitividade no grupo em confrontos diretos.
Escócia e Haiti: briga no meio da tabela e crise no fundo
Escócia soma três pontos e ocupa a terceira colocação; a Tartan Army ainda mantém chances de classificação. Para uma seleção acostumada a lutar até o fim nos grandes palcos, a última rodada será um duplo teste psicológico e tático — será preciso buscar pontos enquanto acompanha de perto a evolução de pontos e saldo de gols entre Brasil e Marrocos.
Com 0 pontos e saldo de gols de -4, o Haiti tem a situação mais delicada do grupo. Como nação pequena, com população e recursos limitados no futebol, o Haiti foi superado pelos adversários em experiência e intensidade nas duas primeiras rodadas do Grupo C. Na última rodada, talvez já não consiga reverter a eliminação, mas ainda precisa lutar pela honra e evitar uma derrota ainda mais pesada que prejudique ainda mais o saldo de gols.
Destaques da rodada final: quem errar, vai para casa
Com o fim da segunda rodada do Grupo C, a verdadeira emoção ficou para a última rodada. O Brasil lidera, mas não está tranquilo; o Marrocos vem com tudo por trás; a Escócia ainda tem o controle do próprio destino; e o Haiti praticamente está eliminado. Para nós, a maior lição deste grupo é: não existe “grupo fácil” na Copa do Mundo. Se uma potência tradicional não tem estrutura sólida na defesa e carece de um meio-campo capaz de distribuir o jogo com consistência, nem o ataque mais poderoso consegue passar ileso.
Na rodada final, vale acompanhar de perto: se o Brasil consegue corrigir as falhas defensivas enquanto consolida a liderança; se o Marrocos mantém a rigidez defensiva e aproveita oportunidades para somar pontos; se a Escócia consegue buscar pontos sob pressão. As vagas de classificação do Grupo C provavelmente serão definidas por um empate — ou até mesmo por um único gol de saldo.