Com a definição do sorteio da Copa do Mundo na América do Norte, o rótulo que mais se colava ao Grupo F era o de “fortes favoritos, mas grupo difícil de jogar”. Quem acompanha de arquibancada tende a olhar primeiro para a Holanda — a história da Laranja nas Copas sempre carrega um pouco do lamento de “ficar a um passo”, e sempre faz com que se queira dar a eles mais uma chance antes de cada torneio.
A duodécima expedição da Laranja
A Holanda continua sendo o nome mais cotado deste grupo. Sétima no ranking da FIFA, firme entre as dez primeiras nos últimos meses, os dados do site também mostram 1757,87 pontos e posição inalterada — uma estabilidade geral incomum entre as potências. Chegaram a três finais sem conquistar o título — 1974, 1978 e 2010 — e por isso são frequentemente chamados de “a maior seleção nunca campeã”. Neste verão, a Holanda estará na Copa pela duodécima vez, retornando ao torneio final pela segunda edição consecutiva após a inesperada ausência na Rússia, em 2018.
O caminho nas eliminatórias foi quase impecável: vitórias em casa e fora sobre Finlândia, Malta e Lituânia, empates de 1 a 1 nos dois jogos contra a principal rival, Polônia, e campanha invicta para liderar o Grupo G das eliminatórias europeias. 27 gols marcados e apenas 4 sofridos — números ofensivos e defensivos entre os melhores de todos os grupos europeus. Em 17 de novembro de 2025, venceram a Lituânia por 4 a 0 em Amsterdã e garantiram oficialmente a passagem para a América do Norte.
As cartas na mão de Koeman
Sob Ronald Koeman, não faltam jogadores “capazes de responder às perguntas”. Virgil van Dijk se aproxima da marca de 100 jogos e segue como a referência da zaga — nos últimos doze meses, poucos adversários conseguiram furar essa defesa com facilidade; nas eliminatórias, ainda marcou dois gols. Memphis Depay, artilheiro histórico da seleção, lidera o ataque; Dumfries avança pelas laterais, Frenkie de Jong dita o ritmo, e Gakpo, Donny Malen e Tijjani Reijnders dividem a carga ofensiva no setor de frente.
Mesmo com Xavi Simons fora por lesão, a profundidade da Holanda ainda impressiona: a velocidade de Nathan Aké e de Micky van de Ven pode compensar possíveis lacunas na zaga. Na Copa do Mundo de 2022, no Catar, a seleção levou a Argentina, campeã do torneio, aos pênaltis nas quartas de final — um desempenho que mostra que a equipe tem fôlego para encarar as grandes forças do futebol mundial.
Japão e Suécia no mesmo grupo
No Grupo F, a Holanda não será a única seleção com uma história interessante para contar. O Japão ocupa a 18ª posição no ranking da FIFA — uma posição acima na comparação com a edição anterior —, com 1.660,43 pontos; empatou recentemente por 0 a 0 com o Catar e mantém uma trajetória estável. A disciplina e a transição rápida, marcas familiares aos torcedores asiáticos, costumam ser trunfos difíceis de neutralizar na Copa do Mundo. A Suécia aparece na 38ª colocação (subiu quatro posições, para 1.514,77 pontos); ainda que esteja fora do grupo de elite, o jogo físico e a força nas bolas paradas dos times nórdicos frequentemente provocam surpresas na fase de grupos.
Fora do placar, o entusiasmo de cada torcida em relação ao torneio também diverge: os holandeses querem quebrar o jejum de títulos mundiais, os japoneses buscam mostrar até onde o futebol asiático pode chegar, e os suecos esperam repetir a boa campanha de 2018. São apenas duas vagas na próxima fase no Grupo F, e qualquer empate pode mudar completamente o clima da última rodada.
Como enxergar o cenário de classificação
A Holanda é vista, em geral, como a candidata mais sólida do grupo a disputar o título, mas não está diante de um cenário de vitória garantida. Os números nas eliminatórias — 27 gols marcados e 4 sofridos — são impressionantes, porém uma Copa é bem diferente de um ciclo classificatório: a defesa comandada por Van Dijk precisa manter o mesmo nível, enquanto o ataque tem de converter, em poucas chances, a pressão equivalente a 17 finalizações (como nas partidas recentes: 17 chutes e 6 no gol) em gols de verdade.
Contra o Japão, o desafio será conter o ímpeto pelos flancos da Holanda; contra a Suécia, a questão é saber se a eficiência de 13 finalizações (5 no alvo) nos sistemas 3-4-1-2 ou 3-5-2 se manterá no ritmo da Copa. Se a Holanda de Ronald Koeman iniciar o torneio com a mesma intensidade exibida contra a Argentina em 2022, a liderança do grupo é plausível; se demorar a engrenar, Japão e Suécia podem tirar pontos dos empates.
No calor de junho na América do Norte, entre viagens e um calendário apertado, a profundidade do elenco de cada seleção será posta à prova. No Grupo F, a dúvida talvez não seja se a Holanda se classifica, mas quem ficará com a segunda vaga — justamente o tipo de incerteza para saborear com calma, de arquibancada.