Segundo informações de nossa equipe no local, na visão de Pato, a seleção brasileira está vivendo uma janela de ascensão subestimada. O ex-atacante brasileiro concedeu entrevista antes do confronto entre Brasil e Marrocos, e em seu tom não havia hesitação, apenas convicção no projeto de montagem de elenco de Carlo Ancelotti — na opinião dele, a Seleção não deveria deixar que qualquer discurso modesto desvie o ritmo da equipe.
Antes da estreia: a identidade de favorito não pode ser perdida
Pato foi direto: a partida de abertura certamente não será fácil, mas ele acredita que o Brasil vai apresentar o nível esperado. "A primeira partida será difícil, mas podemos jogar muito bem." Essa declaração cai exatamente no contexto da coletiva de Ancelotti na sexta-feira, quando ele disse que "a Espanha é a maior favorita". O diagnóstico de Pato é ainda mais objetivo: o Brasil não pode cair na guerra psicológica, porque deveria estar no primeiro escalão de candidatos ao título.
Os números mostram que as duas seleções empataram em 1 a 1 na rodada final da fase de grupos desta Copa do Mundo — o Brasil teve 54% de posse de bola, 12 finalizações e 4 no alvo; Marrocos teve 46% de posse, 12 finalizações e 2 no alvo, com um jogo que não foi unilateral. Somando-se ao ranking da FIFA, a Espanha segue na 2ª posição, Marrocos mantém a 8ª e o Brasil aparece na 6ª. A disputa por favoritismo parece mais um confronto direto em várias frentes do que uma cession de protagonismo por discurso.
Ancelotti: a cadeia de oportunidades do Real à seleção
Em maio de 2025, Ancelotti assumiu o Brasil após encerrar um ciclo vitorioso no Real Madrid. Quando Pato foi perguntado se ele é "o melhor técnico do mundo", quase não hesitou: "Sim, ele é o número um do mundo. Já venceu tudo o que tinha para vencer, a seleção precisa de alguém assim, e ele merece comandar um grande time."
Do ponto de vista das categorias de base, a ordem de preferência citada por Pato é clara: Vinícius Jr. e Raphinha ficam responsáveis por furar a defesa, Casemiro segura o eixo central. Ele disse que as regras do futebol estão mudando, mas o Brasil ainda conta com um elenco de jogadores de ponta mundial — “pode chegar à final e também pode conquistar o título, só que o caminho será difícil”. Isso soa mais como um endosso à capacidade de Ancelotti de transplantar sua tática: levar a gestão de recursos de nível de clube para o ciclo de grandes torneios da seleção.
Gestão de pressão por trás das “provocações” da Espanha
Ancelotti colocou a Espanha como principal favorita na coletiva, mas Pato não concorda. A lógica dele é simples: independentemente do que o adversário diga, o Brasil sempre carrega o rótulo de favorito. A Copa do Mundo de 2026 será sediada conjuntamente pelos Estados Unidos, Canadá e México; os anfitriões têm vantagens de calendário e chaveamento, mas seleções tradicionais como o Brasil ainda precisam provar seu valor na fase eliminatória. A Espanha empatou recentemente com a Inglaterra e com a Chéquia, e a solidez defensiva permanece — o que significa que, se Ancelotti realmente tomar a Espanha como referência, o Brasil precisa evoluir ainda mais na transição ofensiva e nas bolas paradas.
Velhos laços com o Milan: a lacuna da Champions e a vaga no comando
A entrevista também passou pelo Milan, assunto que Pato ainda não consegue deixar de lado. Ele lamenta que o clube tenha ficado de fora da Liga dos Campeões, mas acredita que a diretoria tomará a decisão certa quanto ao próximo treinador. Sobre o sucessor de Massimiliano Allegri, Pato não citou nomes: “Isso cabe ao clube; o diretor técnico Ibrahimović quem decide. Allegri é muito forte; quem deve ser o próximo, eu ainda não sei dizer, mas sempre vou apoiar o Milan.”
Para os leitores da ScoreZ, o que mais vale acompanhar são duas frentes: como Ancelotti transferirá para a seleção brasileira o ritmo de grandes jogos que cultivou no Real Madrid, e se o esquema de divisão ataque-controle formado por Vinícius—Raphinha—Casemiro, citado por Pato, conseguirá manter a eficiência sob a pressão das eliminatórias. Se o Brasil quiser concretizar o que Pato antecipou — chegar à final ou até mesmo conquistar o título — os pontos de observação na próxima fase serão a profundidade do elenco para rodízio e a taxa de conversão em bolas paradas: nesses dois aspectos, muitas vezes é quem demonstra mais humildade antes do jogo quem acaba ditando o rumo da partida.